Ser freelancer não é para qualquer um

A foto na cadeira de praia com o macbook (nenhum programador(a) que conheço faria isso com seus preciosos), a liberdade de lidar com o seu tempo, viajar o mundo trabalhando remoto (...) OK! mas vamos deixar as coisas um pouco mais realistas, o trabalho remoto não é para qualquer um e não estou falando de enquadramentos sociais, que realmente existem, falo de enquadramento pessoal mesmo.

Sou responsável pela criação e gerenciamento do processo de seleção dos profissionais que entram pra rede da Vibbra!, pensa no desafio, achar as pessoas ideais de TI para trabalhar de forma remota e freelancer. Para quem pergunta se eu programo, respondo logo numa esquiva/resposta à la antropologia “Conheço os feiticeiros, entendo o feitiço, sei o que é preciso, convivo com eles, mas não pratico a magia, me interessa mais como tudo funciona”. Brincadeiras a parte, é por aí sim, além de uma equipe técnica que auxilia no que preciso e em todas as avaliações e dúvidas. Mas antes de pensar na parte técnica, é importante pensar nas pessoas e em tudo que o trabalho envolve.

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E para falar de freelancer em TI digo, que embora seja ótimo acordar de manhã e planejar seu dia de pijama, é importante ter estrutura, a da casa ou do coworking que você escolheu trabalhar para a call não cair no meio e conseguir testar minimamente suas produções. Também é importante conseguir entender que exige rotina, que nem sempre vai ter equipe para trocar ideia, que as tarefas precisam ser gerenciadas por si, aliás, o autogerenciamento e a capacidade de se auto estimular devem ser grandes.

Não são poucos e poucas candidatas que procuram fazer parte da rede da Vibbra! no contraturno de seus “trabalhos formais”, em busca de objetivos financeiros de curto prazo (viagens, casamentos, carro, plano de filhos…). Isso é realmente ótimo, só que, veja bem, quando eu falo de estrutura é justamente porque chegar em casa e continuar trabalhando requer uma dose de tesão a mais, de calma e centralidade para não pirar com os prazos. Requer experiência profissional, mas também de si.

Já para quem vive de freelancer é necessária uma dose cavalar de organização, tanto financeira, quanto pessoal. Sair do seu emprego e viajar o mundo programando como freela é um modo de vida bonito no Instagram, mas é uma responsabilidade bem grande a de se comprometer com o que consegue fazer, de não se sobrecarregar, de entender os contextos dos clientes e de deixar as coisas claras com um bom processo. Se você tem família em casa, se lembre que o modo home-office pode acabar engolindo você e ficar com a sensação de estar sempre trabalhando. Aqui é preciso saber parar, saber descansar, quesito este tão importante quanto os outros.

“Nossa que texto mais ácido, assim ninguém vai querer ser freelancer”.

Exato! Deve-se entender que o modelo não se emprega à todas as profissões e que de forma alguma deve ser usado pelas empresas para substituir o trabalho CLT. Além do mais, existe um nível de excelência técnica, de organização e de autoconhecimento que realmente nem todos se enquadram. Ser freelancer para os profissionais de TI às vezes pode ser passageiro, fazer parte de um momento de sua vida e está tudo bem, nesse mundo nós vamos achando o nosso lugar. Pode ser que se enquadre tão bem e saiba gerir tão bem a si e o seu trabalho que vire realmente um modo de vida.

É justamente por tudo isso que falei que temos e precisamos de um processo de seleção aqui na Vibbra!. É por isso que pra ser um Vibbrante é preciso ter experiência de mercado de no mínimo 3 anos. Por isso não trabalhamos com estagiários ou profissionais sem experiência mínima com trabalho remoto, além de tantos outros quesitos voltados a entender o posicionamento e práticas diante da vida e do trabalho.

Ser freelancer é fácil e muitos querem ser.
Mas ser um freelancer confiável, experiente e que entrega resultados de qualidade, nosso processo de seleção onde 7 em cada 100 passam está aí pra comprovar que não é pra qualquer um.